quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Triste

Fui à consulta. Ficamos 2 horas no consultório. Médico super atencioso. Sem pressa, respondeu a todas as nossas perguntas.

Estou atordoada até agora. Eu, que amo escrever, estou me arrastando para digitar este texto. Mas preciso. Preciso dizer a vocês, únicas pessoas que entendem, tudo o que aconteceu.

As más notícias só se multiplicaram no que tange a minha saúde.

A análise seminal do marido, que eu também estava preocupada, é fator de infertilidade moderado, segundo o médico. Atualmente a morfologia estrita de Kruger aceita valores em até 4% e o dele deu 3%. Contudo, na análise do teste pós-coito verificou-se que existiam espermatozóides de boa qualidade só esperando o encontro com o óvulo.

E aí está o problema. Como já disse, as trompas estão fixas e para cima. Sendo que precisavam ser móveis e viradas para baixo. A videolaparoscopia pode ser um recurso usado (como eu já havia pesquisado). Contudo, ele não indica, mas deixa a questão em aberto para resolvermos. O problema com as trompas pode ter sido por uma infeccção, endometriose e 'n' motivos. E a video poderia não resolver o quadro.

O nível de progesterona está baixo, mas pode ser corrigido com medicamentos
A reserva ovacitária está baixa também.
E ainda um dos exames detectou uma alteração no Fator anti-nucleo. O médico indicou um reumatologista para checar mais a fundo a questão. Era só o que faltava eu ainda ter alguma doença auto-imune, como lupus etc. Mas ele disse que esse tratamento, se for o caso, pode ser feito junto com o de gravidez.

Ou seja, as chances de uma gravidez natural são de 2%. E, claro, a FIV entrou em ação.
Ele disse que podemos sim ter um filho de forma natural. Se estivermos calmos e quisermos tentar, ótimo. Mas, claro, que não é meu caso.

A sugestão dele, devido a reserva ovacitária ser pequena, é de um protocolo curto para a FIV.
As chances giram em torno de 40%
Foram passados todos os valores da FIV e, claro, estava bem acima daquilo que eu esperava. Especialmente a parte da medicação.
Contudo, a empresa que meu marido trabalha consegue reembolso de 70% no valor dos remédios, o que gera uma redução bem significativa no valor.

O marido que conduziu a consulta. Eu, que normalmente sou falante, fiquei quase muda. Estava morrendo por dentro. Não queria chorar e se começasse a falar sabia que isso seria inevitável.

A FIV era algo que eu esperava. Mas além de tudo o que eu já sabia ainda tive outras surpresas mais que desagradáveis. Tô com muito medo de ainda indo ao reumato descobrir algo grave. Ultimamente só tenho notícias ruins.

Saímos da clínica e eu e meu marido precisávamos voltar ao trabalho. Cada um pegou seu carro e foi aí que eu desabei. Fui o caminho inteiro chorando. Pronto. Agora é definitivo. Esse é o caminho a ser trilhado. Medo enorme de fazer tudo isso e não dar certo. Por que um negativo depois de tudo isso eu não suportaria.

Ainda estou com uma infecção urinária e vou tomar antibiótico por 7 dias.

Chegando ao trabalho encontrei meu pai que perguntou se foi tudo bem. Consegui ser objetiva e não chorei ao contar.

Estou muito, mas muito triste. Com medo do ovário não responder ao tratamento e não gerar óvulos necessários. E com esse reserva em baixa talvez nem óvulos eu teria mais...
Agora precisamos avaliar nossa condição financeira. Acabou de comprar um apartamento e o financiamento está na fase final.  Gastamos tudo o que tínhamos e não tínhamos com o ap e a reforma. Não sei o que fazer...

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