terça-feira, 5 de julho de 2011

Abortos em série não inviabilizam bebês

Texto retirado do jornal Folha de S.Paulo.
Publico na íntegra pois muitas leitoras não tem acesso ao conteúdo do jornal.


São Paulo, terça-feira, 05 de julho de 2011
Abortos em série não inviabilizam bebês

Estudo diz que dois terços das mulheres que procuraram tratamento por problema tiveram filhos em até cinco anos

Outra pesquisa mostra ainda que tempo para engravidar novamente não é maior quando há histórico de abortos

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Mulheres que sofreram abortos de repetição podem ficar mais tranquilas: suas chances de ter um filho saudável são iguais às de mulheres que nunca passaram por uma perda do tipo.
A notícia foi divulgada em um congresso europeu de reprodução humana que termina amanhã na capital sueca.
Um dos estudos apresentados, conduzido na Dinamarca, acompanhou durante 22 anos cerca de mil mulheres de 20 a 46 anos que haviam sofrido três abortos espontâneos repetidos e procurado tratamento.
Dois terços delas tiveram pelo menos um bebê em até cinco anos. Isso ocorreu com mais frequência até um ano depois da visita ao médico.
Segundo Simone Nogueira, médica especialista em reprodução, a maioria das causas de abortos espontâneos, como infecções ou alterações do útero, são tratáveis.
"Com rastreio e tratamento corretos, é possível que a gestação chegue até o fim. E as chances de ter um bebê saudável são altas", afirma.
"Se um casal com aborto de repetição chega ao consultório e você informa que 66,7% dos casais conseguem ter bebês nascidos vivos em cinco anos, o casal sai mais esclarecido e com mais esperança", afirma.
Para Newton Busso, professor de ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o tratamento inclui apoio emocional, o que também tem um resultado importante para que essas mulheres tenham filhos.
De acordo com a pesquisa, as possíveis razões para que parte das mulheres não tenha tido filhos são abortos espontâneos repetidos nas gestações seguintes, aumento da idade da mulher em cada tentativa, desistência de engravidar ou divórcios.

NOVA GRAVIDEZ
A segunda pesquisa, conduzida na Holanda com 213 mulheres, descobriu que mais de 70% das mulheres com abortos de repetição engravidaram depois de um ano de tentativas.
Essa taxa aumentou para 80% depois de dois anos. Mais da metade delas tiveram bebês saudáveis.
Para o pesquisador Stefan Kaandorp, os resultados mostram que mulheres com abortos espontâneos repetidos podem ter certeza de que o tempo que levarão para engravidar de novo não é significativamente maior do que o de mulheres sem esse histórico.
Estima-se que 25% de todas as gravidezes terminem em aborto espontâneo. Após os 40 anos, a quantidade de abortos espontâneos tende a se tornar mais frequente.

PRESSÃO
A professora de inglês Leila Peres, 42, tem uma filha de um ano e já sofreu dois abortos espontâneos. Hoje, tenta engravidar de novo. Mesmo com todos os exames "normais", ela confessa que se sente desanimada.
"Eu me pressiono demais para engravidar. Sinto o peso da idade e isso me preocupa muito", explica.
Como o último aborto que sofreu foi recente, ela precisa esperar alguns meses até voltar a tentar novamente.
Leila descobriu que estava grávida na primeira vez que foi à uma clínica de reprodução assistida.
Na época, o marido de Peres, o produtor Sylla Taves, era contrário à ideia da fertilização. "Mas ela estava tão fragilizada depois do aborto que concordei em procurar uma forma para ela se sentir segura novamente."

Com agências de notícias

Colaborou SABINE RIGHETTI, de São Paulo

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