E quem disse que seria fácil...
Sempre soube que daria trabalho, mas não imaginava o medo enorme que iria tomar conta de mim.
Consegui marcar consulta com outra pediatra quando o Rafa estava com 10 dias.
E ela é ótima. Tranquilizou-me dizendo que ele estava bem e que naquele momento era eu quem precisava de cuidados.
Era nítido. Eu estava um mar de estresse. Na ocasião achava que até estava bem. Afinal de contas fazia tudo aquilo que era preciso nos cuidados do bebê. Chorava com extrema facilidade, mas dava conta do recado. Não estava lá abatida em uma cama...enfim, eu ACHAVA que estava bem.
O Rafael ficou por uma semana tomando mamadeira com o complemento. Fiquei com tanto medo de não conseguir alimentá-lo, que ter a certeza que ele mamava direitinho com a mamadeira foi tranquilizador. E rapidinho ele foi aumentando a dose.
A fúria com que ele agarrava o bico da mamadeira era de dar dó.
Ele recuperou o peso e voltou a engordar. Cresceu bastante também.
Aconselhada pela pediatra fui procurar ajuda no Projeto Casulo em minha cidade. Lá eles incentivam a amamentação.
Chegamos ao projeto com Rafa já com 15 dias. Um pouco tarde.
Lá aprendi a fazer a translactação, que consiste em oferecer o leite artificial por meio de uma sondinha junto com o peito. Assim o bebê é alimentado enquanto estimula a produção do leite materno.
A essa altura ele já estava acostumado com a mamadeira e foi mais difícil ele pegar o peito. Ele berrava, ficava roxo e nada de querer encostar a boquinha no meu peito. Somente quando colocávamos umas gotinhas com a sondinha e ele percebia que havia leite que começava a sugar.
Voltamos para casa esperançosos. E tudo foi muito difícil.
Ele berrava demais. Não conseguia colocá-lo no peito. Aquilo me consumia mentalmente. Uma angustia enorme tomava conta de mim.
Juntamente com isso estava o cansaço, as noites mal-dormidas, os hormônios pós-parto.
Voltamos 3 vezes ao projeto e progredimos na técnica. Ele já estava pegando no peito e gritava bem menos.
Confesso que foi emocionante senti-lo no peito.
MAS a minha produção de leite não aumentou no período. Em média com 3 dias já teria que ter mais leite.
Além da translactação tinha que fazer a massagem no peito e a ordenha com a bombinha elétrica. Não sobrava tempo para mais nada.
Antes tirava 20 ml com a bombinha e assim continuou após a translactação.
No peito direito ele não estava fazendo a pega corretamente. Quase morria de dor.
Meu marido dizia me apoiar em qualquer decisão. Mas sentia que ele queria que eu tentasse mais e mais.
Estava no fim das minhas forças. Quando chegava perto da hora da mamada já ficava nervosa.
Indicaram-me no projeto o Equilid, um remédio anti-psicótico para aumentar a produção de leite. Falei com meu GO, ele autorizou e pequei a receita.
Porém, a bula é bem clara dizendo que não deve ser ingerido por lactantes.
Na internet vi que muita gente usa e, de fato, faz efeito. Mas não quis arriscar. Não tomei remédio algum.
E sábado decidi parar de tentar dar o peito. O efeito não foi o esperado. Tudo aquilo estava demais para mim.
E passei o final de semana mais tranquilo desde que o Rafa nasceu. Agora havia feito uma escolha, finalmente.
Continuo tirando o leite na bombinha. Surpreendentemente consegui, após parar o peito, 40 ml em duas vezes. Mas normalmente tiro só 20ml.
Segundo a pediatra trata-se de pouco leite, mas já ajuda na questão imunológica.
Hoje o Rafa está com 23 dias.
Ainda não consegui aceitar direito o fato de que não consigo alimentar meu bebê. Por mais racional que eu seja ainda bate aquele sentimento de frustação.
Prosseguirei tirando o quanto puder do meu leite, mas sem a sucção dele a tendência é que o leite seque mais rápido.
Escrevo isso em meio a lágrimas, pois no post anterior vi que muitas passam por dificuldades, mas no final acabam conseguindo.
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